Mamãe Super-Exigente

redação Universo Familia

Existe vários tipos de mães, erra o ditado que diz que mãe é tudo igual. Nesta semana iremos falar sobre as desigualdades das mães. Vamos começar falando da Mamãe Super Exigente.

À medida que a criança cresce e antes de ir para a escola, ao "Pode” e “não pode", junta-se o "deve-se” e “não se deve". Deste modo, surge a ideia do dever ou obrigação, necessário para construir a personalidade que terá de se inserir no mundo social. No entanto, os “pequenos” do lar encontram desagradáveis travões quando, inevitavelmente, começam os intercâmbios com outros ao sair de casa. Menos notórias são (à primeira vista) as dificuldades das crianças auto-exigentes, ou seja, que impõem a si mesmas a obrigação, mais ou menos estrita, de acatar as regras.

São crianças muito bem aceites socialmente, que "nunca dão trabalho", são educadas, amistosas e dóceis. Não se sujam, não incomodam, não gritam e fazem as suas tarefas sem discutir. O seu aspecto é o de uma criança muito esmerada e limpa. Mas a sua felicidade parece estar ligada fortemente à aceitação dos demais. A atitude materna tem uma enorme incidência na produção de condutas "correctas". As mães muito exigentes estão ansiosas para que o filho consiga. Detestam que esteja molhado e sujo, e às vezes mostram o seu desagrado perante a criança no momento de a limpar e mudar com a mesma intensidade com que a beijam e felicitam quando, já limpinha e seca, volta a ser a criancinha "dos seus sonhos".

A própria intolerância perante a frustração pode ser transferida pela mãe ao seu filho, com uma modalidade muito demonstrativa que o pequenino percebe inequivocamente, e que tem a ver com um contato corporal, com a intensidade dos beijos e abraços, com as palavras e os gestos de gosto e desgosto que expressam os sentimentos maternos perante o que acontece com o seu filho. A mãe começa a premiar ou a castigar as respostas da criança e a transmitir uma mensagem inconsciente:

- Um contato corporal muito estreito, cuja declaração de amor: "este é o meu filho, limpo, seco, e cheroso''

- Um distanciamento ou frivolidade notórios (castigo), cuja mensagem significa recusa: "assim não te conheço, não é o filho que amo".

A imposição de limites exagerados, e precisos, é uma característica da relação que convém evitar. O filho prejudica-se afetivamente quando deve renunciar aos seus desejos para obter o amor maternal, e sofre com a recusa ou afastamento a que a mamãa o "condena" quando não se comporta como a criança dos seus sonhos. A mamãe super-exigente tende a dramatizar as situações, e uma mancha ou um objeto partido, por exemplo, podem transformar-se numa cena inesquecível para a criança.

Assim, a criança que se suja, que parte ou desarruma, acaba por se sentir culpada e teme ser abandonada pelos seres que mais quer e a quem não pôde agradar. Logo, encontrará algumas fórmulas que lhe permitam reassegurar o sucesso das suas acções. Então, descobrirá que se não brincar com barro ou aguarelas, não sujará nem os dedos nem a roupa. Também se esforçará por reter o chichi e o cocô, do mesmo modo como insistirá embora não tenha "vontade", de fazer as suas deposições quando a mamãe quer.

Em resumo: é melhor não se enganar e também é melhor não se arriscar. Quer dizer, não provar, não criar, ir pelo seguro, e tentar compensar as falhas com mais aplicação, com mais cuidado, com mais esforço... com mais temor. A criança só se sentirá feliz se tiver sucesso, porque isso lhe garante que será amada. Mas, o exagero e a procura contínua da criança perfeita podem prejudicar o filho e a relação com os seus pais.
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