Mamãe-indecisa

redação Universo Familia

Hoje sim, amanhã não, depois, quem sabe... são frases ou palavras que poderiam representar a qualidade indecisa de uma mamãe ou de um papai que, por não serem consistentes nas suas ideias, geram no filho desconcerto e confusão. A indecisão como forte traço de carácter pode apresentar-se nas pessoas que alternam com frequência estados anímicos opostos. Reconhecem-se vulgarmente como seres que se expressam de forma eufórica ou depressiva, abrindo e fechando ciclos (de euforia ou depressão) sem que medeie alguma causa facilmente observável.

Do desinteresse a ser docemente permissiva, alegre e bem disposta, são os mais pequenos que notam os sinais que às vezes passam despercebidos, inclusive para a mamãe. Eles, melhor do que ninguém, Percebem-se quando ela está triste, alegre, doente ou indiferente. Trata de uma questão recíproca, porque a mãe também sente e pressente as emoções e sentimentos que alteram o seu filho. Dos seus pais, e especialmente da mãe, desde muito cedo, os pequenininhos aprendem a comportar para concordar: se a sua mamãe fica contente, significa que o que ele faz está bem, mas se ela está triste, é muito provável que o filho se sinta culpado.

As mudanças surpreendem e desconcertam as crianças pequenas até ao grau de assustá-las tanto que reagem de modos extremos. Se recebe sinais contraditórios, o pequenito começa a desconfiar do seu próprio comportamento: "O que eu fiz de mal, pois a mamãe não me olha e não me fala como sempre? O que eu fiz que ela se irritou?". As condutas parecem ser mais prejudiciais para a psicologia infantil que outros comportamentos imperfeitos, mas constantes. Às vezes, a mamãe está consciente das suas mudanças afetivas, embora desconheça as causas.

Se quer evitar prejudicar o seu filho, pode tentár, agregando alguns dados na comunicação que tem com ele, independentemente da sua idade. O importante é evitar a confusão infantil que se baseia na impossibilidade de compreender o que acontece a partir da visão naturalmente imatura de uma criança que, além do mais, se sente o centro do universo e acredita ser o causador de tudo. Se o seu filhinho não consegue estabelecer relações válidas devido à imprevisível conduta materna, tão pouco poderá progredir no campo lógico. A explicação ("Não é sua culpa, a mamãe hoje está aborrecida para brincar hoje. Brincamos outro dia") liberta a criança da dúvida e melhora a compreensão, e ao fim ao cabo, o vínculo mãe-filho.

É necessário apontar a personalidade do filho manifestando a invariável segurança do carinho que tem, e reforçando a ideia de que as mudanças negativas na relação com a sua mãe, não são culpa sua. O ingresso precoce no jardim infantil ajudará a criança e a família a gerar um marco mais equilibrado e confiante que compense as desigualdades domésticas. Passados os seis anos, os Pequenos já podem desenvolver-se relativamente bem, "deixando passar" os períodos negativos sem danificar em excesso a inter-relação com a mãe. No entanto, desde o nascimento até essa idade, há uma zona que é necessário preservar.
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